Entrevista Exclusiva: Gastón Acurio, o mega chef peruano, fala ao Tempere sua Viagem!

(23 de novembro de 2014)

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Em termos de gastronomia no mundo, o Peru é, sem dúvida, prostate a bola da vez, está, literalmente, na moda!

Tudo isso se deve a um homem o mega chef e chanceller Gastón Acurio!

Lá, seu nome e seu rosto estão por todo lado. Só se fala nele, só se fala em sua cozinha. O über chef é celebridade e se confunde mesmo com o peruvian food (cozinha peruana) e está tanto na boca do povo, das publicações especializadas, na imprensa internacional, na TV, nos jornais, nas rodas sociais, assim como o futebol está para os brasileiros. Sua imagem está indissociavelmente associada ao Peru.

A minha mente inquieta se questiona porque Acurio logrou tanto êxito em associar sua terra natal à gastronomia. Algumas coisas me ocorrem.

Em primeiro lugar, é um visionário. É, sem dúvida, um visionário!!! Sua genialidade consiste exatamente em mostrar ao mundo algo que o diferencia de outras culturas, a ponto de fazer o mestre dos mestres, Ferran Adriá, afirmar que o futuro da gastronomia está no Peru.

Sim, Gastón saiu de casa, olhou para seu país de fora e depois voltou-se para dentro dele, mostrou ao mundo sabores exóticos, inexplorados, únicos, que para todo o mundo soam exóticos. Sim, trouxe técnicas da alta gastronomia e as aplicou aos legítimos sabores de casa! Mas também conferiu p devido valor às técnicas originárias de seu país. Soube como ninguém vender, literalmente, seu peixe!

Mas há outra coisa que talvez pouco se fale, mas que é preciso ouvi-lo para entender. A sua sabedoria e seu tino estão no fato de que soube arquitetar, com indubitável altruísmo, um conjunto de ações para valorizar sua matéria prima, os tesouros que só ali há! E isso engloba a valorização das técnicas milenares e artesanais de obtenção dos produtos e preservação dessas tradições face à automação e a industrialização. Com maestria aquilatou e estimou os produtos autóctones e nativos, além de voltar e centrar todos os seus esforços para o pequeno produtor, para a pesca,  reconhecendo o trabalho daqueles por quem essa riqueza chega às mesas e sem os quais isso não seria possível.

O resultado está aí para o mundo ver!

Assim, entrevistá-lo foi, mais que um ofício de cumprir pauta para o blog, foi sim, um aprendizado e uma honra!

 

TEMPERE – Como você vê a gastronomia brasileira no contexto da América Latina?

ACURIO – Bom, como disse Alex (Atala), há um território comum em que a divisão não é da natureza, não é da história, é da política. Muitos dos produtos (peruanos e brasileiros) são os mesmos. Os desafios são os mesmos. Há problemas que se enfrentam, que também são os mesmos. Então o cozinheiro tem a oportunidade de participar desse processo.

Em segundo lugar, o caso concreto do Brasil, que também é uma sociedade multicultural, de uma grande diversidade, que está conquistando o coração dos brasileiros através de sua cozinha, com os cozinheiros se unindo cada vez mais para trabalhar por um objetivo comum.

Isto é o que está acontecendo em toda a América Latina. A comunidade de cozinheiros está trabalhando junta, não só nos países, mas entre os países. Isto é muito importante porque afinal temos que construir uma imagem ao mundo da América Latina, obviamente cada um em seu país. Uma América Latina que é um território charmoso para visitar, para viver, para compartilhar, para experimentar, para descobrir. E a cozinha é uma das ferramentas mais poderosas para conseguir isso. O Brasil tem tudo isso e já está trabalhando para isso. É por isso que estamos aqui todos juntos, conversando sobre os mesmos temas. O que falamos aqui, praticamente poderia ser o mesmo discurso no Peru.

 

TEMPERE – Você conhece as diversidades multiculturais brasileiras? Cada região tem a sua particularidade? Como você enxerga esse caldeirão multicultural? E como você entende que se possa construir uma gastronomia brasileira tendo tanta diversidade?

ACURIO – Isso não é defeito, é uma virtude! É uma soma de diferentes cozinhas que se expressam de maneiras distintas que assumem um território, que assumem um sentimento, que assumem uma história, mas essa diferença, por sua própria particularidade. Mas o mágico que faz e que cada dia, pode-se viver uma experiência, outra experiência, outra e outra… Então, não se trata de unificar em uma única cozinha, se trata de vitalizar e fortalecer cada uma dessas cozinhas.

 

TEMPERE – Sou do Nordeste do Brasil, sou de Pernambuco. Você conhece a cozinha nordestina, que é muito particular?

ACURIO – Me encantaria conhecê-la. O trabalho é justamente este. São os cozinheiros de tua terra que têm que sair ao mundo a dar a conhecer a sua cozinha.

 

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